quarta-feira, 4 de fevereiro de 2015

Presença

             Em tudo ele era presença e a memória retomava de algum lugar que ainda não se tornara antigo, mas fora interrompido pelo ocaso abrupto trazido pelos incertos caminhos que todos trilhamos.
            Não era cheiro, pulsão ancestral ou corpo material, era ele mesmo como espírito-presença que marcava com seu eu todo o espaço que o circundava: sua casa-chão, com seus tocs, recortes, encaixes e brincadeiras com os materiais concretos. O subjetivo e o objetivo se fundiam ali, no quadro de colagens; no porta-chave de disco; no detalhe, no desencaixe.
           Mas retomava o que e para que? Se continuava o relato era, pois, como resistência àquela presença-ausência. E, sem ser possível esquecer a saudade, a retomada era só para dizer qual era o passo daquela caminhada, quais histórias estavam para ser recontadas, reconstruídas e num dia, no futuro, quais memórias seriam para sempre guardadas.

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