A lista dos desejos (quereres) para o futuro
Vi hoje uma amiga postando a sua já antiga lista de desejos
– tudo aquilo que queria fazer e não tinha feito nos anos passados. Agradecia a
si e ao mundo por ver-se realizando alguns daqueles desejos (ou muitos -
desejo meu para ela ).
Percebi-me revisitando as listas mentais que acumulei ao longo
dos anos e ainda estavam lá, em aberto, fui retirando aquilo que já tinha
conseguido (trabalhar em coisas diferentes, para conhecer mais “profissões”...
ninguém disse que os desejos davam bons resultados, afinal já fui call
Center...). Vi a mudança de sonhos – caminhos que se abrem e se fecham e tornam
a abrir. E fiz a pergunta: quais são agora os meus quereres?
Disponho aqui a minha lista ao mundo, quiçá para me
convencer de que não fugirei com tantos juízes a duvidar e me desafiar – será
que disso, algo você fará?
Quero: dominar o espanhol como se fora língua materna,
aquela cuja fluência se inscreve até na memória, fazer aulas de samba-rock, de
massoterapia. Curso básico de como fazer trufas com recheio de diversos
licores, conhecer o Machu Picchu, percorrer por meses a América Latina, ver as
obras da Frida Kahlo, os murais do Diego Rivera e os “quintais” da casa de
Neruda. Cozinhar salmão (com alcaparras), costela, ratatouille e torta de
palmito até acertar o sabor. Orar sempre.
Quebrar menos pratos (ops!), fazer algo que ajude a
humanidade, voltar as aulas de canto e um dia conseguir cantar No, Je Ne Regrette Rien da Edith Piaf, pode ser em Paris, ou
não... Mas um dia, sim, conhecer essa cidade, e também Roma e as ruas de
Pompéia sob o agouro do Vesúvio e também o Parthenon e as ilhas gregas.
Ver e tatear as esculturas de Michelangelo, ah... a Pietá... (e depois
descobrir como sair da prisão por ter feito isso). Prestar mestrado em
história, escrever um livro, olha, conseguir fazer um bolo floresta negra
também. Escovar os dentes cinco vezes ao dia (isso foi cópia dos quereres dessa
amiga). Meditar. Teatro. Aulas de Pandeiro. Inglês e francês. Estudar
literatura, arte, música, mais história e teoria. Reverenciar ao orixás, tatuar
uma mandala, enraizar. Testar sucos de clorofila diferentes, vinho nas carnes e
farinhas integrais nos bolos.
Estes são os de
curto prazo, não riam. Tem outros para anos e anos a frente de hoje e de
qualquer agora. Sei que um curso de gastronomia já resolvia metade dos
problemas, mas não ligo de ser aos poucos a descoberta culinária e também aos
poucos tudo isso. Não me importo se os sonhos mudarem, reescrevo os
quereres e os dias. Tampouco coloquei nessa lista os tropeços, nas calçadas,
nos buracos e na vida (vários), ainda quero aprender muito, preciso tropeçar,
sem esquecer dos amigos-família, não sei se sempre saberei me levantar (podem
me ensinar?). Ah, um último querer, amar, sempre amar.