Perguntei ao Lago se me reconhecia, já tinha deixado ali lágrimas e sorrisos e voltava para saudá-lo.
Há quem queira que as águas do Igapó sejam águas de Elite, organizada e canalizada para o centro da cidade. Duvido que suas sinuosas curvas sejam as primeiras formadas no confronto com a terra (mãe).
Elas, água e terra, são o feminino que nos formam e estão em constante confronto, invadindo-se,moldando-se e nos invadindo. Acredito que toda água purifica, do centro ou da periferia, menos aquela que o Homem poluiu demasiado que ela nem mais pôde se renovar; deixou de ser água, virou esgoto, óleo, detergente, sujeira, bactéria e poeira.
Mas o Lago Igapó não. Ela-ele ainda reluz o sol e alimenta seus entes (peixes, girinos, passarinhos, a terra, a grama, os insetos e tudo ao redor); geograficamente elitizado o Lago não é de ninguém, ele é nosso, ele é do mundo para purificar e limpar a alma. E como também acredito que todas as águas se conectam, elas - na forma de Lago - um dia banharão outros rebanhos até chegar a nossos ancestrais, nos conectando ao ciclo da vida.
Lílian Falcão - 21-11-2016

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