Um
tratado sobre miçangas, crochês e sobre revolucionar os olhares
Vejo agora que nunca mostrei nenhum dos
meus rabiscos anteriores. Escrevo, pois, algo para te lembrar dessa ariana
fofa... rsrs (tudo bem, eu sei que isso de arianas fofas é uma falácia rsrs e
peço desculpas se algumas palavras minhas de ontem tiverem sido demasiado
duras).
E como nos contos de fadas se começa com
um “ era uma vez...”
Naquilo que escrevo tende a começar com
“o menino caminha...” (maldosos dirão que é falta de criatividade, eu digo que
é “estilo” rsrs)
Bem, vamos lá... (Tá, vou contar outro
segredo dos meus textos...dou um título poético, enrolo umas 56456421 linhas
explicando o que farei e no último parágrafo eu escrevo algo dedicado a pessoa
em questão. Isso é embromation mesmo, não se engane. Quando não saem só duas
linhas pífias que nada tem a ver com o título.
Calma, não se irrite, continue lendo, já
vamos chegar lá... nas duas linhas pífias.
O menino caminha pela cidade cinza-dória
com suas linhas coloridas para enfeitar as palavras e iluminar os sorrisos da
infância. Inequívoco contraste, se há verde na cidade, ele é de dólar. Pulmões
a postos enfrentam a fumaça, sensibilidades da carne e da alma enfrentam os
trilhos do metrô, do trem, os ônibus e os carros. Não há homens ali, só
máquinas, há muito se fundiram, corpo vivo ao metal.
As dores aparecem, os alongamentos são
esquecidos, até mesmo para um miçangueiro falta uma saudação ao sol.
Mas tem meninos que ainda insistem e num
rompante se enraivecem e gritam revolução!! É porque sabem que outros meninos e
meninas choram de fome. E este a que me refiro vira homem que chora também,
pois a dor de uma ou de um, no seu olhar, me parece que também é sua dor.
E de repente, vai correndo trabalhar, o
capital o espera ansioso e pagando mal. Só que não é só este que o espera... também
esperam olhares, risos, cambalhotas e um pulsar daqueles que ainda não se
fizeram totalmente impuros e surgem Julietas, Romeus, Montéquios, piratas e
marinheiras... cancerianos, leoninos, taurinos e não mais que de repente, o homem-menino
ressurge. Descobrimos então que os crochês são para remendar as tristezas e
unir a infância à velhice (como jovens velhos que nos tornamos antes até dos
marcos temporais), linha tênue que se rompe constantemente... e no crochê, os
nós se fortalecem, se unem para fechar alguns dos buracos da trama da vida.
Acho que entendi o sentido
(interpretação minha total rsrs), de ser comunista e miçangueiro. A revolta é
latente e não pode ser esquecida, mas as miçangas, crochês e os sorrisos de 4
anos de idade ainda podem nos salvar e nos lembrar que ainda é preciso ter
ternura (não com todo mundo, isso é impossível, acho que você me entendeu). Ao
menos ás vezes.
Lílian Falcão de Araújo - 12-05-17. (Obser: texto escrito para um amigo querido)