Fale menino, fale,
Fale da poesia,
Da que lê, escreve ou cria.
Povoa o mundo
Com monstrinhos
E outras fantasmagorias...
E das lentes tortas ou ajustadas,
As cores da São Paulo transviada.
E nesses dias tão nublados,
Pra ti sugiro um pouco da funilaria
Dessa tal poesia.
Um pouco do sintético Leminski
Para um bom dia.
Um pouco de Pessoa,
Em suas várias cantorias,
Para todas as filosofias.
Baudelaire para se embriagar,
Hilda Hilst com Vinícius,
Para um dia se apaixonar
E quiçá...
Um Drummond para amadurar.
E reze.
Para que um dia a arte possa nos salvar.
quarta-feira, 24 de fevereiro de 2016
sábado, 23 de janeiro de 2016
Onde nasce a saudade
Se não me
engano, é lá no bairro das figueiras, onde, no primeiro chamado aparece
correndo um menino que do alto dos seus quatro anos (sim, só quatro anos,
aquela altura toda chama-se genética) vem com a frase que guia sua jovem vida
nessa fase e que guiará sua semana ao lado dele: “vamos brincar de monstro? Eu
sou um super monstro invisível...” e daí em diante você pode completar a frase
com tudo que sua criatividade permitir, desde histórias de dinossauros,
planetas explodindo e poderes mágicos até coisas mais realistas como
transformação em leão, macaco, elefante ou outro. A clássica Chapeuzinho
Vermelho já teve seu lugar e me lembro de uma semana que ela apareceu umas três
vezes ao dia... e escondia sempre o menino junto com ela e com a vovozinha embaixo
da casa-cobertor para fugir do lobo mal!
Menino travesso,
menino pequeno, na mesa às vezes é manhã, mas com carne e arroz, brócolis e
beterraba, uva e maçã, suco de laranja, ah... o suco de laranja, não precisa nem
de negociação. E tem o abraço no pai, como parte fundamental e garantia
nutricional.
Há tropeços e
algumas lágrimas, corridas, cosquinhas, desejos e sonhos. Aprendendo a
aprender, aprendo a ser gente, seu olhar ainda não distingue de onde vêm a
tristeza ao olhar com a sutil realeza da inocência as imagens rápidas da mídia
massiva e opressiva, no relato do terror, na França ou no Brasil, do choro e do
choque de dias e dias de quem já se fez impuro. Aquilo ainda não faz sentido
para ele. Espero que nunca faça.
E mudam o canal.
Pepa de novo, não! O.O Mas tudo bem, até que é educativo. Palavra Cantada e
Tiquequê são a salvação. O passeio do dia seguinte se for escolha dele, não tem
segredo. O zoológico é a próxima parada, porque seu bicho preferido é a cobra,
a onça, o elefante, o pavão, os passarinhos, os macacos, o hipopótamo, o
jacaré... enfim, todos. E assim os dias transcorrem, um pouco ao sul do Brasil,
num pedaço de férias, num pedaço da vida que segue. E num simples sorriso
sapeca e na frase que começa com “tia...” ali nasce toda a saudade.
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