sábado, 15 de dezembro de 2012

Os jardins do mundo.

           O que significam os jardins para mim?
           Estes pensamentos se orientam pela descrição de um jardim de sonhos da memória de Rubem Alves, no qual ele rememora a infância retomando um imaginário de flores-alegrias de outrora representadas em seus sonhos na beleza dos jardins.
          O belo ali, se destaca em cores e farfalhar de asas de borboletas tomado pela emoção e sensibilidade que ressurge de tudo quer poderia ser um "jardim".
          Estranho imaginário se comparado aos jardins da minha infância, anteriormente dispostos ao tato e olfato. Em Tupi Paulista, naquela casa comprida da Antônio Fraga, a terra era vasta para uma casa comum, mas pouco cultivada no que diz respeito a flores "embelezadoras".
          Lembra-se bem quem viu a rosa seca quase na frente da fachada da casa; nada havia de verde mais, apenas o contraste entre um caule marrom espinhento e pedaços de vermelho intenso de uma das mais belas flores.
          O tempo do trabalho e do dinheiro sufocava o cuidado materno que era o mais preocupado com aqueles pequenos seres. E assim vi aqueles jardins povoados de inúmeras flores que duravam algumas estações, para deleite das plantas comumente chamadas de "mato" ou até, inocentemente, de "pragas". Mesmo assim todo mês de maio era ansiado para ver as flores que levavam nome do mês, porém, em lugar distante de seu país de origem, brotavam somente após junho.
          Frutífero era aquele canto da ternura da criança (a infância). O pé de acerola, a manga áden com bourbon e o coqueiro com os morcegos que meu querido André quis acordar. Todos eles deram sustância a corpos que antes eram bem magrelos (que saudade daquela forma corporal...rsrs) de três pequeninos seres que, como as árvores, um dia iriam vingar e encorpar seus caules ficando mais duros e resistentes as tempestades.
         Imagino pois, que, se os jardins se caracterizam pela ordem e beleza imposta a natureza domesticada, nossos jardins se mostraram contrários aos conceitos dados a seu simples nome.
          A natureza bela por si só estava em todos os cantos, entretanto sem nenhum controle sincero que lhe moldasse em formas e intenções, a não ser... a dura poda paterna exigida, que era um verdadeira limpeza, não domavam  a natureza, mas varriam-lhe grande parte de sua existência. E mesmo assim ela retomava desordenada a danada, dando abrigo a misteriosas e criteriosas joaninhas vermelhas de bolinhas pretas.
         Se as  memórias dos jardins retomam a infância porque a natureza nos leva a lembrar a poética de nossos dias, então aqueles três pequeninos podem se lembrar, que, tal qual seus jardins da memória onde cultivam tenras lembranças floridas entre palavras-pragas malditas, sua infância construí-se como aquele jardim, entre podas drásticas, e florescimentos desordenados, coloridos, floridos, com sabores frutíferos e entranhadas entre muros pouco medrosos,  de um cantinho de mundo onde o sol regava seus entes; e, como tal, estranhos jardins,  estranho e intenso amor.


P.S. neste site abaixo tem um texto muito legal do Rubem Alves, que me fez escrever isto acima...
http://feminina.wordpress.com/jardim/